Degradê

Degradê

Ana Gabriela alça voos livres em Degradê. A cantora, compositora e multi-instrumentista paulistana traz neste álbum uma mistura de desabafos e sentimentos que somente a passagem dos anos e a maturidade podem revelar. Em uma conversa sincera e cheia de afeto, a artista conta ao Apple Music como se sente ao finalizar o segundo álbum. “Eu quero que estas músicas sejam um carinho para quem ouvi-las. Só de pensar nisso já fico com lágrimas nos olhos e tenho vontade de ouvir o álbum inteiro novamente.”
Degradê tem participações de nomes reconhecidos da nova música brasileira, como Anavitória e Vitor Kley, e a parte instrumental é assinada por experientes músicos: Alberto Continentino (baixo), Bernardo Martins (sampler), Rodrigo Tavares (teclados), Tavinho Menezes (guitarra e violão), Thiago da Serrinha (percussão) e Thomas Harres (bateria e percussão). “O álbum está separado entre as cinco primeiras faixas, que são samba e samba-rock, e as últimas, que são pop. Eu gosto desta flexibilidade que a MPB traz, você pode misturar diversos gêneros e ainda soar como música brasileira”, explica. A seguir, Ana Gabriela faz um guia faixa a faixa do álbum:
Degradê “Nunca havia escrito uma música que tivesse tanto a ver comigo. Eu costumo ser fictícia nas minhas letras, pois é difícil falar de mim. Então este é um grande degradê de cura, pois eu sou essa mistura, mutável e difícil de lidar. Muitas pessoas me escrevem dizendo que se identificam com esses sentimentos. A composição tem a participação de três pessoas maravilhosas: [a cantora] Elana Dara, Deco Martins e Julio Pettermann [ambos da banda Hotelo]. ‘Degradê’ também nomeia este álbum: me representa e anuncia o que vem depois.”
Segredo “É o single do álbum. Na época eu estava escutando muito o samba-rock do Seu Jorge e acabei trazendo aquela levada mais animada para a minha música. Escrevi sozinha e, a partir disso, acabei desenhando o álbum como um todo. Sempre trabalhei com sonoridades mais calmas e muita gente fala que me ouve quando está triste. Então eu quis trazer essa alegria, mas seguir falando sobre amor. É bonita e feliz, verão, calor.”
No Escuro “Foi um presentão da Ana Caetano. Me sinto privilegiada de trabalhar com ela novamente e de ter a participação da Anavitória [dupla formada por Ana Caetano e Vitória Falcão] nos vocais. São pessoas que eu admiro demais. Antes de me tornar compositora eu fazia releituras de músicas delas, pois sempre fui fã. Muitas pessoas me conheceram assim. Estar ao lado delas é de arrepiar.”
Teu Samba “Esta tem a participação dos meus amigos Deco Martins, Julio Pettermann e Filipe Toca [cantor potiguar]. Eu lembro de escutar o vinil da Alcione junto com o meu pai, quando tinha uns quatro anos. Aquilo me marcou e trouxe um significado afetivo. ‘Teu Samba’ é um olhar diferente sobre a música da Alcione e eu acho que conversa bem com a minha geração. Também é uma maneira de homenagear essa artista tão importante para um público que talvez ainda não a conheça [a música de Ana Gabriela tem um trecho de ‘Não Deixe o Samba Morrer’, de Alcione]. Fala sobre um amor não correspondido, sobre prazer e dúvidas da vida.”
Meu Jeito “Esta também foi escrita com o meu amigo Filipe Toca, que eu considero um dos grandes compositores atuais. Ele sabe encaixar as palavras muito bem. ‘Meu Jeito’ aborda as relações no ramo artístico, em que às vezes o tempo de uma pessoa não condiz com o tempo da outra. Existem essas desavenças, mas o amor sempre vence. É uma música singela e ao mesmo tempo bastante representativa do álbum.”
Interlude “Foi a última letra que eu escrevi. A minha empresária havia escutado o álbum inteiro e comentou que sentia falta de algo que trouxesse uma conexão e um propósito mais claro entre essas misturas de Degradê. Tivemos uma conversa muito boa que acabou me ajudando a pensar neste texto. Fala sobre rótulos. Eu sou uma pessoa que está em constante evolução e é difícil permanecer no mesmo lugar. Além de explicar um pouco da proposta do projeto, ‘Interlude’ faz uma separação entre o que seria um lado A e um lado B do álbum.”
Fala Como Tá “Amo esta música! É pop, com um pouco de pagode e bastante sentimento. É uma parceria com a minha grande amiga Luana Berti, que também é uma compositora incrível. Ela chegou com o início da letra, e depois eu fiz o refrão. Fala de saudade e de uma relação que não deu certo porque as pessoas estavam em momentos diferentes. Eu sei que eu vou me emocionar muito quando cantá-la ao vivo.”
Por Aqui Tá Tudo Bem “Esta composição é somente minha e é uma resposta à pergunta da música anterior. Traz o diálogo de uma mãe perguntando sobre a pessoa com quem a filha se relaciona. Sabe quando você quer esquecer uma pessoa e vem alguém e pergunta justamente sobre ela? Também é feita para a comunidade LGBTQ+. Traz uma letra triste, com uma sonoridade mais alegre. Eu gosto de falar sobre amor, o meu olho brilha, por mais que eu tente fugir.”
Céu e Chão “Compus esta com os meus amigos Deco Martins e [o cantor] Lucas Andrade, que são muito importantes pra mim. Queria a presença do piano em alguma música, mesmo eu não sabendo tocar. Pedi para o Deco fazer alguns improvisos e gostei do resultado. Foi a faixa mais difícil de produzir, pois eu queria demonstrar muitos sentimentos. Conseguimos expressar todo o coração que havia dentro dela. É sobre alguém que vai embora e deixa você com a cabeça confusa.”
A Culpa É Minha “Esta música é um grito! Traz um coro de vozes muito bonito. É basicamente quando você sabe que uma relação não deu certo por sua culpa. Vitor Kley, que é um cara que eu amo de paixão e com quem quero trabalhar junto sempre, ajudou na letra e fez o lindo arranjo de violão.”
Avenida 5 “Adoro o nome desta música. Ela tem inspiração na faixa ‘Baby 95’, da Liniker, mas ao mesmo tempo me lembra um pouco de Charlie Brown Jr., que é uma banda que eu adoro. A gente tinha praticamente terminado a composição e faltava apenas uma palavra para encaixar. É horrível quando isso acontece! Até que me veio à cabeça ‘Avenida 5’ e acabou virando também o nome da música.”