Changes All The Time

Changes All The Time

Na sequência do som mais pop e eletrônico do álbum Electric Light, de 2018, Leap, de 2022, apresentou James Bay com os pés nas raízes da sua bem-sucedida estreia Chaos and the Calm, álbum de 2015 que ajudou o cantor e compositor da pequena Hitchin, no interior da Inglaterra, a arrematar um BRIT Award e três indicações ao GRAMMY®. Mas, para Bay, seu quarto álbum, Changes All The Time (2024), é a representação mais completa e verdadeira de quem ele é como músico. “O violão sempre teve um papel central em quem sou como artista”, conta ao Apple Music. “Já tentei subir ao palco sem o violão, mas me senti totalmente nu. Precisei percorrer um longo caminho até a produção deste álbum para dizer a mim mesmo que, mais do que nunca, eu quero que as músicas venham em primeiro lugar e que o violão esteja no centro delas. Eu quero que a arte e a musicalidade se destaquem e evoluam.” Changes All The Time viaja da abertura comovente “Up All Night”, com Noah Kahan e The Lumineers, e da inspiração gospel em “Hope” para o rock de “Easy Distraction”, coescrita com Brandon Flowers, do The Killers, e o espírito sulista de “Speed Limit”. É um projeto que abraça toda a integridade e musicalidade dos álbuns clássicos que Bay produziu ao longo da carreira, mas, graças à confiança que vem de saber exatamente quem se é, aqui o artista revela mais de si do que nunca. “Espero poder continuar desenterrando e descobrindo novas camadas de quem eu sou como artista, mas estou menos consciente de como esse processo acontece”, diz. “É mais uma coisa tipo: ‘Bom, este álbum sou eu. Este sou eu neste momento’.” A seguir, explore mais camadas de James Bay enquanto ele nos conduz por Changes All The Time, faixa a faixa: Up All Night (feat. The Lumineers & Noah Kahan) “Mark Broughton, engenheiro de som do álbum, tocou piano na maioria das faixas. A gente finalizou uma sessão de alguma outra coisa e ele ficou brincando ali, tocando algumas notas. Então peguei o violão e toquei a mesma coisa, acrescentando alguns acordes, e esta música começou a nascer. Naquela mesma tarde, passamos duas horas escrevendo e gravando a faixa. Estava tudo tão festivo que pensei: ‘Com quem a gente pode compartilhar isso?’ Conheço o The Lumineers e o Noah [Kahan] há anos, ele costumava abrir meus shows. Eles foram muito gentis e entraram na faixa depois que a gravamos. Não tem bateria nesta música. São só batidas com o pé e palmas.” Everburn “Meu relacionamento tem um papel importante em muitas músicas que escrevo. Estamos juntos há muito, muito tempo, já passamos por tanta coisa e continuamos em frente. E isso é sempre algo a explorar e expressar nas minhas composições. Então, várias das minhas músicas giram em torno dos assuntos do coração. Não sei como parece a minha vida para quem vê de fora, mas é tão real e cheia de obstáculos quanto a de qualquer outra pessoa. ‘Everburn’ olha para essa realidade, na qual, algumas vezes, as coisas podem ficar difíceis, mas, aconteça o que acontecer, o amor vence tudo e mantém você forte.” Hope “A música gospel sempre me emocionou muito. Aretha Franklin e Ray Charles tinham essa formação gospel e são dois artistas que, enquanto eu crescia, me inspiraram enormemente. Então sempre foi algo que adorei, mas esta foi a primeira vez que senti que havia uma música que tinha a ver comigo como artista, mas também abriu caminho para eu trazer esse meu lado inspirado no gospel. Gostei muito de combinar esses elementos com a narração de uma história na faixa. Ter esperança é uma ideia bastante ampla, mas todo mundo se identifica com isso. Eu posso ser bem pessimista – e escrevi esta música como uma batalha contra o pessimismo, porque é o tipo de coisa que vai matar você se você não o matar primeiro.” Easy Distraction “Bruce Springsteen é uma figura importante na minha vida desde que eu nasci, basicamente. Meu pai ama Springsteen e isso influenciou a mim e o meu irmão. Escrevi esta música com Brandon Flowers, de quem sou muito fã também. Mas, cara, aí está um superfã do Bruce Springsteen! E isso fica evidente da forma mais gloriosa possível. Foi muito especial poder mergulhar nessas águas musicais, foi uma experiência maravilhosa. Esta faixa é tão influenciada pelo som do The Killers quanto da era Born to Run do Springsteen.” Speed Limit “Escrevi esta música em Nashville com a fantástica Natalie Hemby [cantora, compositora e membro do grupo The Highwomen], que foi criada nessa espécie de sonoridade soul sulista e compõe várias músicas gospel e country. Ela faz esse tipo de som com muita naturalidade – e eu também, já que muitas das minhas influências são americanas: country, blues, gospel e folk. A caminho da sessão, eu estava dirigindo um pouco rápido demais, pensando na minha filha e em todo mundo em casa. Eu pensei nesta frase ainda sem uma melodia: ‘Eu ultrapassei o limite de velocidade só para chegar até você...’. Assim que entrei na casa da Natalie, perguntei a ela: ‘Posso pegar meu violão e cantar isso aqui no meu telefone e ver como fica?’ Tenho muito orgulho da colaboração com a Natalie, foi natural, sem esforço.” Talk “Acho difícil dizer na vida real as coisas que digo nas músicas. Eu me tornei um artista para evitar esses encontros vulneráveis. Adoro ser um artista. Não faço isso só para me esconder, mas compartilhar coisas pessoais em cenários pessoais não é tão fácil para mim quanto escrever uma música. Mesmo com toda a angústia e emoção desta faixa, é muito divertido tocá-la. É como ‘Yellow’, do Coldplay. É uma música angustiante, mas você sabe que eles estão se divertindo muito toda vez que a tocam.” Hopeless Heart “Escrevi esta música há alguns anos, no período entre o álbum anterior e este. É meio boba do jeito mais bonito possível. Eu lembro de me inspirar no Fleetwood Mac. Eu só queria abrir meu coração e cantar. Foi uma coisa divertida e brilhante de se dizer: ‘Você despedaçou meu coração desesperado, nunca mais vou querê-lo de volta’. Eu estava tentando tirar algumas coisas ruins do meu peito e escolhi essas palavras para expressar isso. É bom tirar coisas do nosso peito às vezes. Na época, eu passei por uma situação difícil, mas, no grande esquema das coisas, acho que não foi nada demais.” Some People “Foi a última coisa que gravamos. Passamos um monte de cabos até a escadaria e ligamos alguns microfones. Foi uma ideia meio inspirada no Led Zeppelin – eles eram famosos por colocar a bateria na escadaria para conseguir aquele som gigantesco. Era um lugar onde a gente poderia amarrar essas harmonias e conseguir um clima etéreo, tipo Crosby, Stills & Nash, Fleet Foxes e todos esses grupos harmônicos espetaculares. Aquilo simplificou tudo e deixou a coisa mais vulnerável e intimista. E fazer isso no fim de uma experiência de gravação tão barulhenta e corrida deu uma sensação muito boa. Foi como soltar aquele último suspiro antes de fechar o livro de produção do álbum. Esta podia facilmente ser a última música, mas foi legal soltá-la aqui no meio e ter este momento sussurrado enquanto tudo em volta parece um furacão.” Go On “Esta música tem um significado muito particular. Perdi uma pessoa da família de maneira repentina logo no início da pandemia de Covid-19. Não foi por causa do vírus – ele tinha um câncer terrível, que surgiu e o levou. Sua morte deixou um buraco, como acontece em qualquer família. Eu queria me despedir dele, queria saudá-lo e dizer: ‘Vá em segurança, vá em frente, cai fora daqui. Você foi incrível. Obrigado. Amamos você. Um abraço’. Foi muito comovente escrever e gravar isso.” Crystal Clear “Aqui tentei fazer aquela coisa que um pintor ou fotógrafo faz quando captura algo no momento presente e, então, aquela imagem fica marcada no tempo. Daí, toda vez que você volta para a pintura ou foto, enxerga aquele momento. Eu estava em turnê quando escrevi esta música. Eu tinha acabado de me tornar pai e a vida ficou tão difícil. Pode ser muito angustiante e complicado tentar estar presente em um momento de mudança tão grande, mas, ao mesmo tempo, manter uma carreira que envolve que você fique fora de casa o tempo todo. Aqui foi uma tentativa de falar com essas emoções e essa realidade. É um retrato da vida naquela época.” Dogfight “Escrevi esta música com Phil Plested [que já compôs com Lewis Capaldi, Mimi Webb, Bastille e Niall Horan] e Holly Humberstone. Apesar de ainda ser uma novata, Holly é brilhante, já tem um elemento atemporal no seu som e na sua abordagem. A ansiedade de ser artista existe para nós dois, independentemente de um de nós ter muita experiência e a outra ainda estar naquele choque inicial com essa fama nova e emocionante. Eu queria falar sobre o quanto pode ser difícil conseguir ser eu mesmo e ela disse: ‘Sei bem como é isso. Parece que a gente está em uma rinha de cão [dogfight]’. Assim que Holly falou isso, nós decolamos com a música. Testamos algumas produções com a faixa – ela começou um pouco carregada de sintetizadores, mas, logo que passamos a experimentar dessa forma, sentimos que encerraria o álbum. Eu me perdi emocionalmente no fim da música, o jeito que a banda toca nos seus últimos momentos é incrível.”