

2003 em 20 músicas
Os sucessos de 2003 foram marcados pela diversidade de estilos – do revolucionário à paródia escrachada. Reunimos aqui 20 músicas deste ano que definiu uma época.
Nova configuracão do pop
A música de 2003 foi marcada pela mistura de gêneros, pela experimentação e pela diversão que dominava o pop no começo dos anos 2000. E foi o ano em que um dos maiores nomes da música do século XXI chegou para valer.
Beyoncé lançou o seu primeiro álbum solo, impulsionado pelo hit “Crazy in Love” e, imediatamente, se tornou uma superpotência global. A ex-líder do Destiny’s Child e JAY-Z, um dos principais nomes do hip-hop, estavam juntos neste sucesso estrondoso. Enquanto isso, Justin Timberlake, ex-integrante do *NSYNC, também chegava ao topo. Depois da pausa da boy band em 2001, Timberlake se consolidou como o maior cantor pop do mundo em 2003 com Justified, o seu primeiro álbum solo, lançado no final de 2002 e que trazia sucessos como a explosiva “Cry Me a River” e “Rock Your Body”.
A ascensão destes dois artistas consolidou uma nova configuração do pop. Se nos anos 90 e começo dos anos 2000 o pop tinha sido dominado por girl groups e boy bands – Backstreet Boys, *NSYNC, TLC e Destiny’s Child nos EUA; Spice Girls, Take That e All Saints no Reino Unido –, 2003 foi o ano em que os grandes nomes passaram a comandar o pop em carreira solo, tendência que se manteve firme nos últimos 20 anos. Já que aqueles grupos pop, muitas vezes fabricados, tinham deixado de ser relevantes, era hora de encontrar uma nova maneira de descobrir talentos: o reality show.
Um ano depois de se ter sido a primeira vencedora do American Idol, em 2002, Kelly Clarkson estourou nos EUA e na Europa com a incrível “Miss Independent” – na mesma época em que o grupo Girls Aloud, vencedor do Popstars: The Rivals, e Will Young, do Pop Idol, dominavam as paradas no Reino Unido. Originalmente “Miss Independent” faria parte de Stripped (2002), de Christina Aguilera, uma das compositoras da música. Mas o álbum já tinha um sucesso próprio: a poderosa “Fighter”. Uma coisa ficou clara em 2003, ano em que Aguilera, Britney Spears e Madonna se beijaram no palco do Video Music Awards da MTV: em vez de seguir, as mulheres passaram a ditar as regras do pop.
Festa hip-hop
O maior sucesso do hip-hop de 2003 veio de Nova York. A onipresente e festiva “In Da Club”, de 50 Cent e produzida por Dr. Dre, falava sobre chegar ao sucesso e curtir o momento – de fato, algo a comemorar, já que 50 Cent tinha sido baleado nove vezes nos três anos anteriores. A música foi lançada no começo de janeiro de 2003, tocou em todas as festas daquele ano e continua sendo um dos maiores hits do rap de todos os tempos. O sucesso de “In Da Club” e a fase imperial de 50 Cent influenciaram artistas da nova geração, como o britânico J Hus, que disse que o norte-americano o inspirou a fazer rap, citando a importância do álbum Get Rich or Die Tryin’.
Em agosto de 2003 chegou “Hey Ya!”, da dupla OutKast, de Andre 3000 e Big Boi. A música – igualmente festiva, mas de outra natureza – era o carro-chefe do poderoso álbum duplo Speakerboxxx/The Love Below, que trazia elementos do funk, do R&B e do pop para o hip-hop, consolidando uma tendência que havia começado uns dez anos antes. No final de 2003, um novo capítulo da história do hip-hop começou a ser escrito com o lançamento de “Through the Wire”, o primeiro single solo de um jovem rapper de Chicago chamado Kanye West (na época, mais conhecido como produtor de JAY-Z), que combinou como ninguém a sonoridade underground e mainstream no hip-hop.
O som dos Neptunes
De tempos em tempos, um novo estilo de produção molda a sonoridade da música pop. No começo dos anos 2000, a dupla The Neptunes foi a responsável por esse trabalho. Depois de produzir Kaleidoscope, o notável primeiro álbum de Kelis, em 1999, os amigos de infância Pharrell Williams e Chad Hugo entraram no novo milênio dispostos a deixar a sua marca – eles também formavam a banda N.E.R.D. Sintetizadores vibrantes, bateria surpreendente e uma combinação vigorosa de pop, rock, R&B e hip-hop eram a marca registrada da dupla.
The Neptunes dominou as rádios em 2003 como poucos produtores conseguiram fazer antes ou depois. A dupla enfileirou sucessos como “Milkshake”, de Kelis; “Change Clothes”, o primeiro single do Black Album de JAY-Z; a irresistível “Beautiful”, de Snoop Dogg (cujo videoclipe foi filmado no Rio de Janeiro); e “Frontin'”, do próprio Pharrell Williams, que começava a despontar como artista solo. De certa forma, a influência dos Neptunes na música pop ainda pode ser sentida 20 anos depois. Williams virou um astro global, com trabalhos em trilhas de filmes e na indústria da moda, além de ter sido um dos responsáveis pelo breve revival da disco music em 2013 com o megassucesso “Get Lucky”, do Daft Punk.
Surpresas da guitarra
2003 também foi um ano em que apareceram algumas surpresas que fizeram um sucesso tão gigantesco quanto improvável – e de repente estavam tocando em todo lugar. Como “All The Things She Said”, da dupla russa t.A.T.u., que falava sobre amor lésbico e continua tão provocativa hoje quanto há 20 anos. Ou como “Stacy’s Mom”, da banda de rock norte-americana Fountains of Wayne, sobre estar a fim da mãe da sua amiga.
Outro sucesso inesperado de 2003 surgiu a partir de uma questão: “Por que a gente não compõe a música mais idiota de todas?”. E foi exatamente o que The Darkness acabou fazendo em “I Believe in a Thing Called Love”, com guitarras grandiosas e vocal em falsete, uma paródia do hair metal dos anos 80 que só poderia ter virado hit no começo do milênio. 2003 também foi o ano de “Bring Me to Life”, o primeiro single do Evanescence, que tornou a banda de nu-metal conhecida em todo o mundo – e é uma de suas músicas mais famosas até hoje.
De fato, as guitarras estavam em alta em 2003. Bandas de Nova York, como The Strokes e Yeah Yeah Yeahs, se consolidavam na cena indie com os emblemáticos álbuns Room On Fire e Fever to Tell, respectivamente. Mas o riff mais marcante do ano – e talvez do século – veio de uma dupla de Detroit, mais precisamente da guitarra de Jack White em “Seven Nation Army”, da dupla The White Stripes. Nos 20 anos seguintes esta música foi trilha de absolutamente tudo, de pistas de dança underground e videogames a jogos de futebol (inclusive o americano) e protestos políticos.
Palmas para o dancehall
O dancehall, ritmo jamaicano com elementos de reggae e hip-hop, se tornou popular entre os anos 70 e 80, mas o gênero ganhou o planeta em 2003, graças especificamente a um artista. Depois do sucesso “Gimme the Light” (2002), o jamaicano Sean Paul explodiu de vez com “Get Busy”, com o famoso “diwali riddim”, criação do produtor Steven Marsden que emula palmas que acompanham a batida da música. Esse “riddim” também está presente em outros sucessos de 2003, como “No Letting Go”, de Wayne Wonder, e “Never Leave You – Uh Ooh, Uh Oooh!”, da nova-iorquina Lumidee – além de “Pon de Replay”, do primeiro álbum de Rihanna, de 2005.
Sean Paul se tornou um dos nomes mais requisitados da música e cantou com Beyoncé na vibrante “Baby Boy” e com Blu Cantrell em “Breathe” – como todos os grandes sucessos de 2003, essas músicas continuam tão irresistíveis como há 20 anos. São músicas que remetem aos bons momentos de uma pista de dança com os amigos. Afinal, em toda festa que se preze toca um clássico de 2003.