

“Parede de espelhos, globo de discoteca/Nunca estive tão bem, e nunca me senti tão mal.” Rachel Chinouriri desabafa na pista de dança nos primeiros versos de “One song away from crying”, a faixa de abertura de I think I spoke too soon, seu segundo álbum de estúdio. Ao longo de 12 músicas, a cantora e compositora de alt-pop mergulha em uma noite louca e nas suas consequências, emocionais ou não. “Sou uma pessoa completamente diferente de quem achava que era, o que é difícil quando se está sob os holofotes, porque me apresentei ao mundo de uma certa maneira”, conta ela ao Apple Music. “De repente, pensei: ‘Espera aí, não gosto de beber. Talvez eu seja mais introvertida do que pensava, me vejo de uma forma diferente’.” A melodia de “Broken chair” levada pelos sintetizadores é irresistível, assim como sua letra descarada que emerge de uma forte ressaca: “Amo beber até acabar/Vocês todos me amam até eu ficar sóbria/Estou voltando para casa na manhã seguinte/O desastre da vizinhança”. Do romance fatalista de “Pretty girls” à briga amarga que explode no final de uma bebedeira em “Parasite”, Chinouriri mantém sua escrita afiada, mesmo que esteja analisando o caos em tempo real – ou aceitando seus desdobramentos. Mas I think I spoke too soon é mais do que apenas uma reflexão sobre festas e seu impacto: é um olhar sobre amadurecimento, um aspecto que Chinouriri estava ansiosa para abordar. “Comecei a refletir sobre as nuances dos 20 e poucos anos", explica ela. "Sempre nos dizem: ‘É diferente depois dos 25’. Quando fiz 25, pensei: ‘Meu Deus’.”