Interior

Interior

“Você conhece pequi? Ele é carnudo, cheio de espinho e tem uma castanha dentro”, diz Salma Jô ao Apple Music, descrevendo o fruto que ilustra a capa de Interior, quarto álbum do Carne Doce. A vocalista da banda goiana conta que a simbologia por trás do pequi não é apenas regional – uma vez aberto, ele guarda novos significados. “É um fruto do interior, do cerrado, que é muito conhecido. Mas a gente quis mostrar o pequi por dentro, que nem o goiano sabe como é. Então a ideia reflete tudo isto: esse interior geográfico e o nosso interior também, que, como o pequi, é cheio de espinho, mas também de carne e nutrição.”
A última linha do comentário acima também poderia, de certa forma, descrever a produção do álbum, que foi impactada pela pandemia. Com metade das músicas prontas, o Carne Doce – formado por Macloys Aquino, guitarrista, João Victor Santana, guitarrista e produtor, Aderson Maia, baixista, e Frederico Valle, baterista, além de Salma – decidiu finalizar o álbum de forma remota, cada um na sua casa, durante o isolamento social. “Foi uma experiência nova. Eu desacreditei, pensava: ‘Isso não vai dar certo’, mas, no fim, ficou ótimo. Surpreendeu muito todo mundo”, conta Macloys. “Desse jeito que foi feito, as músicas surgiram de formas diferentes, tipo a ‘Cérebro’, que o João tocou sozinho, ou ‘Sonho’, que ele também arranjou sozinho, com coisa gravada no celular, então isso deu uma riqueza para o álbum e fez com que a gente não perdesse a nossa unidade. Esse é um dos trunfos deste álbum. Uma variedade estética e poética, mas que tem unidade.”
Se a distância possibilitou criações individuais que, ao se juntarem, enriqueceram o projeto, por outro lado, como Salma ressalta, não há tecnologia que substitua a presença física. “A gente sente falta dessa potência que é a banda tocando junto. Dessa sensação, do ensaio, de estarmos aquecidos. Isso fez falta na hora de gravar. Foi mais difícil transmitir essa potência sem essa memória, essa prática constante, singular, que a gente tinha”, diz a vocalista.
Ainda assim, depois de tantos anos de estrada, talvez entre os registros mais claros de Interior estejam essa química entre os cinco e a maturidade de quem está confortável na própria pele. “Mesmo com todas as dificuldades, a gente acha que este é o nosso melhor álbum, porque a gente está melhor, cada um com os seus instrumentos. Mesmo que a gente não saiba descrever e colocar em palavras o que é que o Carne Doce faz bem, entender isso nos deixa mais tranquilos, com mais confiança”, diz Salma. “Por exemplo, antes, a gente se incomodava com essa coisa de ser uma banda regional, de Goiás, a gente queria ser uma banda nacional, mas, hoje, abraçamos essa regionalidade, é parte da nossa identidade, é a nossa marca. A gente está no nosso lugar, muito bem, muito confortável. E feliz. E acho que isso vai aparecer neste álbum.”
A seguir, o casal Salma e Macloys mergulha ainda mais fundo em cada faixa de Interior.
Temporal Macloys: “É uma música que a gente já havia lançado no início de 2020.” Salma: “E que a gente gravou em setembro de 2019. Este álbum levou quase um ano para ser gravado por causa da pandemia. E esta música fala de um apocalipse, de uma catástrofe ambiental, alguma coisa desse tipo. E ela foi pensada antes de a gente saber que viveria uma pandemia.” Macloys: “E, por coincidência também, o clipe é uma festa numa cidade do interior de Goiás, uma festa típica de uma cidade do interior, com pessoas aglomeradas num galpão, com comida, num esquema de roça. E parece que isso passou a fazer mais sentido assim que a gente entrou neste estado atual das coisas. A música foi composta de uma forma um pouco diferente do que a gente estava acostumado a fazer, mas, por outro lado, também é um modo que a gente tem experimentado cada vez mais, que é a banda tocando e repetindo frases, repetindo estruturas.” Salma: “E a banda compondo em conjunto. Geralmente a ideia acaba surgindo entre mim e o Mac ou um dos meninos, e aí depois a gente arranja em conjunto. Mas esta música surgiu em uma jam, já com a gente tocando junto.” Macloys: “E, mesmo não sendo uma música nova, está abrindo o álbum, e faz muito sentido, porque ela tem essa cara de abrir os trabalhos. E é a faixa mais extensa, são quase oito minutos. Mas passa rápido!”
Interior Macloys: “Esta é uma base que o João, nosso guitarrista e produtor, havia feito em casa, sozinho. E ele já tinha pensado em tudo: na base harmônica, alguns arranjos de guitarra, já tinha imaginado e programado a bateria. Quando ele mostrou para a gente, já era uma estrutura com o instrumental do verso e refrão prontos, bateria programada, baixo sintetizado, tudo no computador e na guitarra. E isso ficou numa pasta antiga, que a gente usa para organizar os arquivos na nuvem – músicas começadas, bases interessantes, coisas de anos atrás, coisas recentes, como se fosse a nossa despensa. A gente vai juntando coisas ali e, no processo de gravação, a gente recorre a essa despensa. Então, essa estrutura já estava ali, e a Salma pegou.” Salma: “Peguei e coloquei a letra. Ela é diferente de todas as outras que já escrevi, porque eu nunca tinha escrito sobre um tema tão otimista, num clima quase de autoajuda, mas a música é tristonha, ela vai falar com as pessoas que no momento estão se sentindo meio angustiadas ou sem saída, mas ela tem uma mensagem muito esperançosa, quase religiosa, que é algo que eu ainda não tinha explorado. Mas achei muito interessante, e ela acabou levando o nome do álbum. Ela estava sem nome, e ‘Interior’ foi uma escolha interessante porque a gente queria que essa palavra refletisse tanto o nosso lugar no país e no mundo – uma banda do interior – quanto essa nossa habilidade, nossa marca de estar sempre tratando desses assuntos do interior, da ferida, dessas coisas que a gente guarda para nós mesmos, dessas confissões. Esta música é um bom retrato do álbum, e da banda também.” Macloys: “O nome do álbum veio antes do [nome] da música. Esse conceito de interior veio na minha cabeça na ocasião de uma entrevista que demos: estávamos tocando no sul do país e um jornal perguntou como a gente se sentia sendo uma banda de Goiânia que faz música indie na terra do sertanejo. E aí a Salma falou: ‘Bom, agora que a gente já tem alguns anos de banda e de estrada, que a gente já tocou em grande parte das capitais brasileiras, a gente percebeu que a maior parte do Brasil é o seu interior, e isso faz com que a gente se identifique com o Brasil’. Quando ela falou isso, eu estava editando as respostas para mandar para esse jornal, e essa palavra brilhou muito na minha cabeça, e depois ela veio com esse conceito também. Antes, a gente estava chamando esta música de ‘Coração’.” Salma: “‘Coração Valente’, era mais brega ainda [risos].”
Hater Salma: “Aqui já muda completamente o clima. Esta música, apesar de falar de ódio, quando tive a primeira inspiração para ela, eu estava num momento completamente em paz, boa onda, aliás, estava no mar, e me vieram estes primeiros versos. É uma música que fala sobre uma pessoa que odeia por inveja ou tem um ódio infundado, mas estava faltando um sentido que acho que consegui colocar no fim dela, que era esta ideia de espelho: se você se incomoda demais com o ódio da outra pessoa, não é só essa pessoa que está com um problema de autoestima, mas você também. E não é só a outra pessoa que é obcecada por você, talvez você também esteja apaixonada pelo ódio dela. É um fascínio duplo, não é uma coisa só do ‘hater’. Eu gosto dessa letra. Sempre gosto de tentar explorar esse retorno, sentimentos ambivalentes. A gente acha que esta música é uma das mais fortes do álbum, divertida. É uma das músicas mais pop que a gente já fez. Talvez a mais pop.” Macloys: “A gente acredita que ela pode ser nossa música de trabalho. Por vários motivos, ela atende vários quesitos, ela tem essa estrutura verso/refrão/verso/refrão, tem uma parte instrumental ali no meio que é um pouco fora da curva da estrutura pop, mas ela é, sim, pop e dançante.”
Garoto Macloys: “Esta também surgiu como ‘Temporal’, a gente tocando, fazendo uma ‘jam’ despretensiosamente, aí apareceram estas linhas de baixo, estas guitarrinhas rítmicas, com pouca harmonia, a harmonia está mais no baixo, e a Salma cobriu isso com letra e melodia.” Salma: “E, por incrível que pareça, ela partiu da gente como casal – o casamento veio, aliás, antes da banda – e esta é a primeira vez que o Mac canta junto comigo numa faixa da banda, a gente faz um dueto. É uma música divertida e que vai remeter a outras músicas nossas mais alto astral, mais dançantes.” Macloys: “Do ponto de vista de sonoridade, ela é a música [com] mais pressão do álbum. Tem a bateria bem alta.”
Saudade Macloys: “Este foi um single que a gente lançou em 2020, uma faixa que começou com esta base de guitarra que fiz sozinho, aí passei para a Salma e ela veio com letra e melodia. A gente mostrou para os meninos, começamos a tocar e ela tomou esta forma que eu acho super bem-sucedida, porque ela é muito simples. É guitarra, baixo, bateria e voz puramente, com pouco efeito, bem limpa. A gente gosta muito desta ideia de mínimo, desde sempre. Se a canção não for forte, não adianta a gente botar piano, orquestra, coro, não adianta.” Salma: “E acho que a graça dessa música está no fato de que ela fala de saudade, mas é uma saudade de ter vivido alguma coisa que não vai acontecer mais. Não é uma saudade da pessoa, é a saudade de uma experiência que acabou. É meio melancólico, eu notei que minha voz transmitiu uma dor mesmo, uma dor meio escondida, mas que está ali.”
Passarin Macloys: “Esta surgiu com o mesmo método de ‘Saudade’: fiquei arranhando esta base, com verso e refrão, gravei, passei para a Salma, ela veio com essa letra linda e a melodia. E essa música tem um tempo meio estranho no começo. Aliás, quando a gente foi mostrar para os meninos, eu já estava com dificuldades para tocá-la, com dúvida desse tempo aí, e o Fred ouviu e disse: ‘Mas isso é 4 por 4’. Ela tem um segredinho aí na produção, os meninos gostaram da ideia de fazê-la com uma sonoridade extremamente orgânica, principalmente partindo da bateria; o Fred gravou com o bumbo com pele solta, que é uma coisa que quando ele aplica ali, ocupa muito espaço, faz 'pohhhhh' e fica soando... A gente gostou muito do resultado.” Salma: “A letra é muito doce, acho que é a letra mais doce que a gente fez, mais romântica, normalmente eu coloco uma acidez, uma dorzinha, mas nesta, por mais que a gente fique falando que monogamia é isso e aquilo e que sua felicidade não está no outro, ainda noto uma carência muito grande nas pessoas, o amor romântico ainda é extremamente forte, não importa o quanto a gente o conteste e critique esses valores.”
A Partida Macloys: “Esta é uma música que dói muito na gente, porque ela foi feita logo depois que eu perdi um dos meus melhores amigos, o Toquinho, meu cachorro. Eu não sabia que era tão duro. Eu achava que era coisa dos outros. Eu ouvia as pessoas tristes, lamentando: ‘Meu cachorro morreu’, e pensava: ‘Gente, mas é assim mesmo, cachorro morre.’ E aí quando o Toquinho se foi… Foi um impacto enorme. Ele viveu 13 anos, e sempre achei que esses 13 anos foram os mais legais da minha vida. Coincidentemente, é também o período em que eu e a Salma estamos juntos, então minha relação com o Toquinho sintetizava muito esse momento bom demais da minha vida.” Salma: “Eu me inspirei vendo o Mac. Eu já tinha perdido cachorros também, perdi um aqui em casa, mas ele era mais meu que do Mac, e o Toquinho era nosso. Mas, dessa vez, observei mais de fora o luto do Mac, e isso foi para a letra. Acho que escrevi pouco tempo depois, um mês depois ou durante o primeiro mês. A gente ainda estava sentindo muito a falta dele. A gente se emociona muito com esta música, e vários amigos nossos se emocionaram também. E quando a gente tem esse sinal, vendo as pessoas chorando com uma música nossa, a gente pensa: ‘Uau, essa música é realmente forte, não é só uma coisa pessoal.’ É uma das que a gente mais gosta. Achamos que pode ser uma das mais fortes também.” Macloys: “Acho difícil de avaliar porque minha relação com ela é muito pessoal. Muito íntima. Esta música foi feita do jeito que a gente fazia, como a Salma falou, com guitarra ou violão e voz, e aí o João teve estas ideias de texturas, ele veio com os sintetizadores, e a música ficou mais profunda. Ela te envolve mais, acho que a produção foi muito feliz.”
Sonho Macloys: “Esta também tem a ver com esse modo de produção. Era uma música ‘voz e violão’ também, a gente até começou a tocá-la com a banda, chegamos a fechar um formato… A gente a apresentou num show, no Centro Cultural São Paulo, uma vez, mas nossa sensação é que ela estava fechada, mas não estava redonda.” Salma: “Acho que foi a música que mais demorou para ficar pronta. Era a música em que a banda menos apostava, eu gostava dela, mas sentia que os meninos não gostavam muito. Mas ela cresceu para a gente.” Macloys: “Mas ela só cresceu durante este momento da pandemia. Só fez sentido agora. Ela ficou meio escondida, na gaveta. A gente começou a trabalhar, fechou um formato, e agora, na pandemia, o João pensou: ‘Vamos ressuscitar esse som.’ E foi incrível a produção, porque não tem uma bateria tocada, esta pulsação aí é uma montagem do João a partir de samples de ensaios – ele gravou o Fred tocando um bumbo, uma caixa, mandando uns ‘hi-hats’, gravou no iPhone mesmo, e sampleou isso. Então esta bateria aí é um sample gravado com iPhone. O violão também foi feito assim, foi gravado com iPhone, então ele tem um ruído, você ouve esta música e percebe que ela é mais suja, mais lo-fi.’
Fake Macloys: “‘Fake’ é uma música que a Salma já tinha feito, ela tinha essa letra, a melodia pronta, e depois o João ofereceu a harmonia, e também pensou nesta base de bateria que é como se fosse a releitura de um trap. Mas um trap clássico não é tocado, é programado, só que o Fred falou: ‘Vou tocar esse troço’, e aí tem esse chimbal que ele faz, e ele conseguiu fazer isso na mão, ficou maluco o resultado, porque não ficou um trap comum.” Salma: “Esta música também demorou um pouco para sair, só surgiu depois, na bateria, e ficou menos orgânica. A letra fala desse momento que... Bom, acho que é o que muita gente está discutindo, sobre o quanto a internet tem influenciado as nossas vidas, ao mesmo tempo que ela nos traz muita informação, também desinforma demais, ou, mesmo com muito acesso à informação de uma forma democrática e horizontal, como nunca antes, a gente ainda está tendo muito problema de comunicação, a gente está se rivalizando, se polarizando, de uma maneira que nem consegue mais transmitir o que a gente considerava óbvio. É sobre o personagem fake, a pessoa fake, mas também a notícia, o uso da mentira e da verdade no meio virtual, mas que também afeta a nossa realidade.”
Cérebro Bobo Macloys: “Essa é a mais diferente de todas, e a forma de produção também é a mais diferente. A bateria tinha sido gravada um ano antes. O Fred é um baterista profissional, e ele não toca só com o Carne Doce, tem projetos de música instrumental, outras bandas, ele toca jazz. E ele tinha feito a gravação de um álbum no estúdio de um amigo aqui em Goiânia, que, aliás, é onde a gente gravou grande parte deste álbum, e aí sobraram umas horas de gravação e ele falou: ‘Cara, a bateria está montada, microfonada, tenho uma hora ainda, solta o REC aí que vou gravar’ e foi gravando. Enfim, tinha uma hora e vinte com várias linhas de bateria. E quando a gente pensou em fazer o álbum, ele mostrou isso para gente e, na hora, falamos: ‘Pô, passa isso pra gente!’. A gente começou a viajar em cima dessas estruturas de bateria e surgiram várias ideias. E uma delas foi esta, a Salma pegou um trecho de bateria ali, e meteu a letra em cima. Depois o João fez tudo em casa sozinho. Como a gente não estava ensaiando por causa da pandemia, tudo o que tem aí de instrumental, fora a bateria, o João fez sozinho.” Salma: “A letra é bobinha, mas é espertinha também. É você mesmo falando com o seu cérebro, quando ele te trai, te deixa na mão. É você mesmo que se deixou na mão, né? É uma piada engraçadinha, totalmente diferente de tudo o que a gente faz, no clima, ela é meio cômica, meio rapidinha também.”
A Caçada Macloys: “‘A Caçada’ foi o quarto single que a gente lançou do álbum e, assim como ‘Cérebro’, é uma música que tem essa pegada mais dub ou reggae, que é uma influência que a gente percebeu que está surgindo aqui. E nesta o Fred simplesmente regravou a bateria.” Salma: “Eu fiz a letra em cima do baixo com a bateria. Ela é inspirada no conto de mesmo nome da Lygia Fagundes Telles, mas não se prende à história. Usei o conto mais pelo clima, pelo que ele me lembrava, mas já fazia dez anos que eu tinha lido esse texto pela última vez, então era mais pela sensação que ele me deixou.” Macloys: “Do ponto de vista instrumental, acho que é uma das músicas mais profundas do álbum. Acho ela belíssima, incrível como soa.” Salma: “E ela tem uma qualidade, porque algumas músicas têm um pico quando a gente lança, e depois começam a cair. E esta música veio devagarzinho, foi se colocando e se mantém. E a gente gosta de música com essa qualidade. Ela não pega de imediato, mas as pessoas voltam a ela.”
De Graça Macloys: “Esta também foi do mesmo jeito que surgiu ‘A Caçada’: uma bateria desse arquivo antigo do Fred, aí o Aderson colocou o baixo e a Salma pegou o resultado disso e começou a brincar com essa ideia de letra e melodia em cima. Gozado que estes dias eu estava conversando com o Braz [Torres Neme], que é o cara que mixou o nosso álbum e fez toda a engenharia de som, e que trabalha com a gente há um tempo já. A gente estava comentando sobre o álbum e ele falou: ‘Cara, essa é uma música coringa, porque parece que ela saiu do Princesa [segundo álbum do Carne Doce] e que está ocupando este espaço aqui.’ Fez sentido isso que ele falou, é uma música mais puxada, com o refrão mais forte, mais gritado e tal.” Salma: "A letra tem uma pegada irônica bem Carne Doce de tratar o sofrimento. A gente tende a achar que tem um sentido no sofrimento, que é sempre educativo, mesmo que aconteça por catástrofe, mas existe também uma falta de respeito nisso, pelo sofrimento alheio, de achar que o outro tem que só pegar o próprio sofrimento e se desenvolver, evoluir etc. É sobre isso, sobre essa arrogância.” Macloys: “De achar que o sofrimento é para melhorar o outro.” Salma: “Especialmente para melhorar o outro [risos].”

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