16 Músicas, 44 minutos

NOTAS DOS EDITORES

“Por acaso eu estava na casa dos meus pais, então peguei vários vídeos caseiros antigos e passei uns dois dias sem dormir, chorando sem parar”, disse Tori Kelly, cantora e compositora de Los Angeles, ao Apple Music. Alguns desses momentos profundamente pessoais estão espalhados ao longo de seu terceiro LP — um vídeo caseiro documentando o seu próprio casamento e a dissolução da união de seus pais. O álbum chega menos de um ano depois de Hiding Place, de 2018, com fortes influências gospel e de certa forma, complementar ao anterior, já que muitas das músicas foram compostas durante as mesmas sessões. “É quase como um grande quebra-cabeças no qual as peças se encaixam”, diz ela. “Eu senti como se estivesse dizendo às pessoas: ‘Essas músicas gospel realmente me ajudaram a superar esse momento difícil’. No novo álbum, eu estou compartilhando mais especificamente o que eu estava realmente passando naquele momento.” Com a orientação de uma série de compositores, Kelly apresenta uma boa perspectiva sobre alguns temas bastante universais, como crescimento, amor, ausência, envelhecimento, esperança, e, alternando entre R&B, soul, blues e pop acústico, ela cria um conjunto de músicas pessoais. Aqui estão suas histórias.

“Coffee”
“É sobre um relacionamento à longa distância com o meu namorado. Ele estava na Alemanha jogando basquete e eu estava em turnê, viajando muito. Foi bem difícil passar esse tempo longe um do outro. Eu queria que esta música fosse um bouquet poético. Com a ajuda de Tayla Parx e Nate Campany, com quem eu a escrevi, acho que conseguimos alcançar este objetivo. É uma das minhas favoritas no álbum.”

“Change Your Mind”
“Esta música foi composta uma semana depois que meu marido me pediu em casamento. Como você pode ver nas letras, os meus pais não ficaram muito animados. Eu imagino que seja muito difícil deixar a sua filha ir embora e seguir o seu caminho — isso é uma grande mudança na família. Por um lado eu entendi, mas por outro lado, fiquei bastante magoada. Houve muita confusão por conta dos diferentes pontos de vista e opiniões, foi um momento bem difícil para mim. Mas desde então, muita cura foi possível e as coisas melhoram bastante.”

“Language”
“Esta foi a primeira faixa que eu escrevi para este novo capítulo da minha música e foi também a que eu guardei por mais tempo. É irônico porque depois que eu embarquei nessa jornada musical passando por diferentes gêneros, eu acabei voltando para o blues. Esta música é sobre estar em sintonia com a pessoa que você ama. Qualquer pessoa que está em um relacionamento sabe que às vezes vão haver discussões e tensões — nem sempre serão só maravilhas. A música fala sobre como é normal o casal ter discussões, pois no final das contas, estamos escolhendo um ao outro. Vamos sair dessa ainda melhor do que quando entramos. Eu gosto que ela é também um pouco atrevida e tem um pouco de humor.”

“2 Places”
“Eu compus esta música com Tayla Parx e Nate Campany. Eu entrei na sessão de gravação e me lembro de não conseguir explicar como me sentia. Eu só sei que me sentia sufocada pelas minhas emoções e que estava guardando muita coisa. Eles foram incríveis e não precisaram de muitos detalhes para seguir na direção criativa que melhor que encaixava. Acho que agora, olhando para trás, consigo ver com mais clareza o que estava acontecendo: eu estava me aprofundando nessa relação incrível. E por outro lado, eu observava [meus pais] duas pessoas que amo, terminando o relacionamento deles. Um dia eu estava muito triste e no outro eu estava superfeliz, e isso ia e voltava. Eu falo que essa é a minha música emo — é para as pessoas que às vezes se sentem sufocadas pelos seus próprios sentimentos.”

“Kid I Used to Know”
“Eu acho que a indicação mais óbvia de que mudei é que agora eu pondero muito as coisas. Quando você é criança, você simplesmente não tem nenhuma preocupação —você não se importa com o que as pessoas pensam e você não se sente necessariamente insegura. Você está simplesmente despreocupada. Eu sinto falta dessa sensação, dessa inocência.”


“Pretty Fades”
“Esta música saiu de uma conversa que tive com o meu marido, antes do nosso casamento. Nós falávamos sobre envelhecer juntos. Lembro que ele estava tentando ser fofo quando ele disse: ‘Ei, não se preocupe, querida, eu ainda vou te amar quando você for feia’. Eu fiquei super ofendida, então eu me questionei, tipo, ‘espere aí, qual foi o motivo de eu me sentir assim? A juventude não dura para sempre e todos nós vamos envelhecer, então por que eu estou viajando nisso?’ Eu comecei a internalizar bastante e pensar sobre a diferença entre a beleza interior e beleza exterior, e as coisas que duram para sempre versus as coisas que são temporárias. Agora, eu sempre agradeço ao meu marido, pois mesmo que ele não tenha tido a intenção de inspirar esta música, eu acho que é um ótimo lembrete para todos nós.”

“Sorry Would Go a Long Way”
“Quando meu pai deixou minha mãe, foi muito difícil para a nossa família, e eu estava guardando muitas emoções. A música sempre foi a minha maneira de me expressar quando não conseguia encontrar as palavras certas. E foi disso que esta música surgiu. Eu a escrevi com Bruno Major e Jimmy Napes. Bruno começou a tocar uns acordes incríveis na guitarra; na verdade, é ele quem está tocando na música. Nós a gravamos ao vivo. Éramos eu e ele no estúdio ao mesmo tempo. Eu adoro como ela fluiu, embora não esteja contando uma história necessariamente minha — é apenas uma perspectiva, um ponto de vista. Mas eu senti como se tivesse que cantá-la para poder botar isso para fora.”

“Actress”
“Uma vez eu estava em um jantar, encontrando uns amigos em comum pela primeira vez e, por acaso, umas mulheres me disseram que queriam se tornar atrizes. Então eu questionei: ‘O que vocês acham mais difícil: interpretar uma personagem que é mais parecida com vocês ou um papel que é o seu oposto?’ Uma delas nem hesitou: ‘Ah, é muito mais fácil interpretar alguém oposto a si mesma’. Eu achei aquilo superinteressante, e que daria uma música excelente.”

“The Lie”
“É engraçado que esta música venha logo depois de ‘Actress’. E na real, em ‘The Lie’, a atriz sou eu. Sou eu quem canta a música interpretando uma personagem. É uma oportunidade de imaginar como eu responderia, ou o que eu estaria sentindo, se eu me apaixonasse pela ideia mentirosa de que o dinheiro e a fama podem comprar felicidade. Essas coisas são deslumbrantes no começo, mas se você não souber lidar direito, elas podes se tornar realmente assustadoras e perigosas.”

“Until I Think of You”
“No começo eu realmente não curti muito a aspereza e as imperfeições da minha voz em algumas passagens. Nós até chegamos a regravá-la mas acabamos usando o vocal original, pois ele estava repleto de emoção. A esperança é a última que morre, sempre existe uma luz no fim do túnel, mesmo quando se tem a impressão que não há ninguém que possa te socorrer.”

“Your Words”
“A voz que ouvimos no interlúdio que precede esta música é de meu avô orando por mim quando eu era bebê. Lembro que quando encontrei este vídeo, desabei de chorar. Foi tão especial e intenso vê-lo falando tudo aquilo, que me deu muita saudade. Eu nunca pensei que escreveria uma música como esta, já que eu nunca havia passado por nada parecido antes. Ela descreve bastante a vida dele, inclusive o lugar onde ele cresceu, na Jamaica, antes de se mudar para o Queens. Eu descrevo uma lareira e uma cabana nas montanhas, local onde compartilhamos um dos nossos últimos momentos juntos. Quando ele faleceu, minha família e eu estávamos lidando com muitas questões e tudo que eu queria era poder ouvir o conselho dele.”

“Before the Dawn”
“Eu queria terminar o álbum com um sentimento de esperança: o momento mais escuro sempre vem antes do amanhecer. Eu tinha alguns versos no meu telefone — ‘O que é uma rosa sem um espinho?’— e todos nós pensamos, por que não escrever uma lista dessas imagens que estão na mesma linha de ‘você não pode ter uma coisa sem a outra’. Quando a concluímos, todos nós dissemos que esta tinha sido uma das músicas mais belas que já tínhamos criado. Não acredito que teria espaço para nenhuma outra faixa depois dela.”

Masterização Digital Apple

NOTAS DOS EDITORES

“Por acaso eu estava na casa dos meus pais, então peguei vários vídeos caseiros antigos e passei uns dois dias sem dormir, chorando sem parar”, disse Tori Kelly, cantora e compositora de Los Angeles, ao Apple Music. Alguns desses momentos profundamente pessoais estão espalhados ao longo de seu terceiro LP — um vídeo caseiro documentando o seu próprio casamento e a dissolução da união de seus pais. O álbum chega menos de um ano depois de Hiding Place, de 2018, com fortes influências gospel e de certa forma, complementar ao anterior, já que muitas das músicas foram compostas durante as mesmas sessões. “É quase como um grande quebra-cabeças no qual as peças se encaixam”, diz ela. “Eu senti como se estivesse dizendo às pessoas: ‘Essas músicas gospel realmente me ajudaram a superar esse momento difícil’. No novo álbum, eu estou compartilhando mais especificamente o que eu estava realmente passando naquele momento.” Com a orientação de uma série de compositores, Kelly apresenta uma boa perspectiva sobre alguns temas bastante universais, como crescimento, amor, ausência, envelhecimento, esperança, e, alternando entre R&B, soul, blues e pop acústico, ela cria um conjunto de músicas pessoais. Aqui estão suas histórias.

“Coffee”
“É sobre um relacionamento à longa distância com o meu namorado. Ele estava na Alemanha jogando basquete e eu estava em turnê, viajando muito. Foi bem difícil passar esse tempo longe um do outro. Eu queria que esta música fosse um bouquet poético. Com a ajuda de Tayla Parx e Nate Campany, com quem eu a escrevi, acho que conseguimos alcançar este objetivo. É uma das minhas favoritas no álbum.”

“Change Your Mind”
“Esta música foi composta uma semana depois que meu marido me pediu em casamento. Como você pode ver nas letras, os meus pais não ficaram muito animados. Eu imagino que seja muito difícil deixar a sua filha ir embora e seguir o seu caminho — isso é uma grande mudança na família. Por um lado eu entendi, mas por outro lado, fiquei bastante magoada. Houve muita confusão por conta dos diferentes pontos de vista e opiniões, foi um momento bem difícil para mim. Mas desde então, muita cura foi possível e as coisas melhoram bastante.”

“Language”
“Esta foi a primeira faixa que eu escrevi para este novo capítulo da minha música e foi também a que eu guardei por mais tempo. É irônico porque depois que eu embarquei nessa jornada musical passando por diferentes gêneros, eu acabei voltando para o blues. Esta música é sobre estar em sintonia com a pessoa que você ama. Qualquer pessoa que está em um relacionamento sabe que às vezes vão haver discussões e tensões — nem sempre serão só maravilhas. A música fala sobre como é normal o casal ter discussões, pois no final das contas, estamos escolhendo um ao outro. Vamos sair dessa ainda melhor do que quando entramos. Eu gosto que ela é também um pouco atrevida e tem um pouco de humor.”

“2 Places”
“Eu compus esta música com Tayla Parx e Nate Campany. Eu entrei na sessão de gravação e me lembro de não conseguir explicar como me sentia. Eu só sei que me sentia sufocada pelas minhas emoções e que estava guardando muita coisa. Eles foram incríveis e não precisaram de muitos detalhes para seguir na direção criativa que melhor que encaixava. Acho que agora, olhando para trás, consigo ver com mais clareza o que estava acontecendo: eu estava me aprofundando nessa relação incrível. E por outro lado, eu observava [meus pais] duas pessoas que amo, terminando o relacionamento deles. Um dia eu estava muito triste e no outro eu estava superfeliz, e isso ia e voltava. Eu falo que essa é a minha música emo — é para as pessoas que às vezes se sentem sufocadas pelos seus próprios sentimentos.”

“Kid I Used to Know”
“Eu acho que a indicação mais óbvia de que mudei é que agora eu pondero muito as coisas. Quando você é criança, você simplesmente não tem nenhuma preocupação —você não se importa com o que as pessoas pensam e você não se sente necessariamente insegura. Você está simplesmente despreocupada. Eu sinto falta dessa sensação, dessa inocência.”


“Pretty Fades”
“Esta música saiu de uma conversa que tive com o meu marido, antes do nosso casamento. Nós falávamos sobre envelhecer juntos. Lembro que ele estava tentando ser fofo quando ele disse: ‘Ei, não se preocupe, querida, eu ainda vou te amar quando você for feia’. Eu fiquei super ofendida, então eu me questionei, tipo, ‘espere aí, qual foi o motivo de eu me sentir assim? A juventude não dura para sempre e todos nós vamos envelhecer, então por que eu estou viajando nisso?’ Eu comecei a internalizar bastante e pensar sobre a diferença entre a beleza interior e beleza exterior, e as coisas que duram para sempre versus as coisas que são temporárias. Agora, eu sempre agradeço ao meu marido, pois mesmo que ele não tenha tido a intenção de inspirar esta música, eu acho que é um ótimo lembrete para todos nós.”

“Sorry Would Go a Long Way”
“Quando meu pai deixou minha mãe, foi muito difícil para a nossa família, e eu estava guardando muitas emoções. A música sempre foi a minha maneira de me expressar quando não conseguia encontrar as palavras certas. E foi disso que esta música surgiu. Eu a escrevi com Bruno Major e Jimmy Napes. Bruno começou a tocar uns acordes incríveis na guitarra; na verdade, é ele quem está tocando na música. Nós a gravamos ao vivo. Éramos eu e ele no estúdio ao mesmo tempo. Eu adoro como ela fluiu, embora não esteja contando uma história necessariamente minha — é apenas uma perspectiva, um ponto de vista. Mas eu senti como se tivesse que cantá-la para poder botar isso para fora.”

“Actress”
“Uma vez eu estava em um jantar, encontrando uns amigos em comum pela primeira vez e, por acaso, umas mulheres me disseram que queriam se tornar atrizes. Então eu questionei: ‘O que vocês acham mais difícil: interpretar uma personagem que é mais parecida com vocês ou um papel que é o seu oposto?’ Uma delas nem hesitou: ‘Ah, é muito mais fácil interpretar alguém oposto a si mesma’. Eu achei aquilo superinteressante, e que daria uma música excelente.”

“The Lie”
“É engraçado que esta música venha logo depois de ‘Actress’. E na real, em ‘The Lie’, a atriz sou eu. Sou eu quem canta a música interpretando uma personagem. É uma oportunidade de imaginar como eu responderia, ou o que eu estaria sentindo, se eu me apaixonasse pela ideia mentirosa de que o dinheiro e a fama podem comprar felicidade. Essas coisas são deslumbrantes no começo, mas se você não souber lidar direito, elas podes se tornar realmente assustadoras e perigosas.”

“Until I Think of You”
“No começo eu realmente não curti muito a aspereza e as imperfeições da minha voz em algumas passagens. Nós até chegamos a regravá-la mas acabamos usando o vocal original, pois ele estava repleto de emoção. A esperança é a última que morre, sempre existe uma luz no fim do túnel, mesmo quando se tem a impressão que não há ninguém que possa te socorrer.”

“Your Words”
“A voz que ouvimos no interlúdio que precede esta música é de meu avô orando por mim quando eu era bebê. Lembro que quando encontrei este vídeo, desabei de chorar. Foi tão especial e intenso vê-lo falando tudo aquilo, que me deu muita saudade. Eu nunca pensei que escreveria uma música como esta, já que eu nunca havia passado por nada parecido antes. Ela descreve bastante a vida dele, inclusive o lugar onde ele cresceu, na Jamaica, antes de se mudar para o Queens. Eu descrevo uma lareira e uma cabana nas montanhas, local onde compartilhamos um dos nossos últimos momentos juntos. Quando ele faleceu, minha família e eu estávamos lidando com muitas questões e tudo que eu queria era poder ouvir o conselho dele.”

“Before the Dawn”
“Eu queria terminar o álbum com um sentimento de esperança: o momento mais escuro sempre vem antes do amanhecer. Eu tinha alguns versos no meu telefone — ‘O que é uma rosa sem um espinho?’— e todos nós pensamos, por que não escrever uma lista dessas imagens que estão na mesma linha de ‘você não pode ter uma coisa sem a outra’. Quando a concluímos, todos nós dissemos que esta tinha sido uma das músicas mais belas que já tínhamos criado. Não acredito que teria espaço para nenhuma outra faixa depois dela.”

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TÍTULO DURAÇÃO

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