14 Músicas, 1 hora 3 minutos

NOTAS DOS EDITORES

Clown: “Nós tivemos um tempo para a música e para nós mesmos”.


Mesmo que Slipknot apresente aparência e sonoridade agressivas, sua abordagem criativa é tão carinhosa e estimulante quanto o amor de uma mãe pelo seu filho. O sexto álbum de estúdio dos músicos de Iowa, We Are Not Your Kind, nasceu de um longo processo de quatro anos, durante o qual os integrantes puderam aprofundar sua comunicação e amizade. Acima de tudo, eles responderam com perseverança a um mundo em crise. Clown, o percussionista (também conhecido como número 6, cujo nome de batismo é Shawn Crahan), notou que os fãs (carinhosamente chamados de Maggots, “larvas”) elogiam constantemente Iowa, álbum de 2001, porém ele os encoraja a contextualiza-lo, “Eu sempre preciso lembrá-los da temperatura do mundo na época em que o álbum foi criado”, disse ele ao Apple Music. “E então eles param um pouco e percebem que o mundo estava de cabeça para baixo e que precisávamos da música para enfrentar aquilo. Nós sentimos que o mundo está assim de novo.” Neste álbum, hinos anti-autoritários (“Birth of the Cruel”, “A Liar's Funeral”), martírio (“Unsainted”) e meditações inebriantes (“Insert Coin”, “What's Next”) são acompanhados pelo thrash metal com toques eletrônicos. Clown conduziu o Apple Music por We Are Not Your Kind, faixa a faixa. “Nós respiramos fundo”, explicou ele. “E nos colocamos na música por inteiro.”


“Insert Coin”
“É a nossa maneira de dizer: ‘Estou aqui esperando pelos outros. E lá vêm eles.’ É como se estivesse no alto de uma montanha com vista para o oceano, e pudesse ver os outros nadando pelas águas agitadas. É um alinhamento. Insira a moeda. Vamos embora.”


“Unsainted”
“O álbum inteiro tem essa temática, em que se olha cada música, cadência por cadência, batida por batida. E você se pergunta quanta cor, temperatura e amor você tem para oferecer. Foi uma experiência incrível que se encaixou perfeitamente. Se tornou a mentalidade do álbum. Quando esta música nasceu anos atrás, e eu ouvi o riff da guitarra, o refrão e pensei imediatamente: ‘Esta será a primeira música do álbum.’ Foi mágico. É algo novo, que representa a gente, é neste lugar que estamos.”


“Birth of the Cruel”
“Esta é uma das minhas favoritas. Ela evolui, ela é intensa, tem pegada. Nós desencanamos dela por um bom tempo. Corey Taylor diz ‘I'm overthrown/I'm over your throne’ (Eu sou derrotado/ eu estou sobre o seu trono). Eu adoro esses jogos de palavras.”


“Death Because of Death”
“Esta música é outro exemplo do que é a vida. É muito climática, faz você questionar as coisas. É outra pequena peça do quebra-cabeça. É como uma cobra que se arrasta em você e que vai embora antes que você se dê conta. Ela pode ser pequena, mas mesmo assim, pode ser muito venenosa. E se você se deixar levar, ela pode afetá-lo de uma maneira inimaginável.”


“Nero Forte”
“Eu gosto de me desafiar. Eu aprendi muito com as pessoas que fizeram parte da banda. Dividimos muitas coisas juntos e o respeito que tenho por eles é realmente algo muito lindo. Gostaria de juntar tudo isso que eu aprendi e criar uma pequena cadência — a parte que vem antes da pausa é muito importante para mim. E o refrão é impressionante. Corey Taylor ainda consegue cantar em falsete, mesmo depois de 20 anos de carreira. O que pode ser melhor do que isso? Isso é evolução, coragem de se arriscar e se entregar para a música. É agarrar a vida com toda força na tentativa de se salvar.”


“Critical Darling”
“Esta música provoca todo tipo de reação. A melodia vocal é a minha favorita. Eu amo o espaço mental que ela ocupa. Corey é meu cantor preferido de todos os tempos porque ele é capaz de mergulhar tão profundamente em si mesmo e trazer coisas pessoais que a maioria das pessoas não seriam capazes de fazer. Mas ele tem força para fazer isso por si e por todos nós. É muito diferente do estilo Slipknot, mas, ao mesmo tempo, nos representa lindamente. Eu acho que ela entra em contraste com as outras cores do álbum e enriquece o todo.”


“A Liar’s Funeral”
“Esta faixa pode ser complexa por uma série de motivos. Ela começa de um jeito que soa familiar, quase previsível, até se dar conta que Corey jamais havia cantado de uma forma tão brutal até então. É tão chocante, que você se sente incapaz de sair do lugar. E esta é uma das músicas que eu lutei para que ela entrasse no álbum. Tudo ficou perfeito, e aqui está: ‘Burn, burn, burn, liar!’ (Queime, queime, queime, mentiroso!).”


“Red Flag”
“Aqui temos o Slipknot tradicional. Tem uma sensação super thrash. É divertida, agitada mas de um jeito diferente de ‘Get This (Or Die)’ ou ‘Eeyore’. Eu acho que ela é um elemento necessário na composição do álbum.”


“What’s Next”
“Podemos dizer que ela é um interlúdio. Na verdade, eu nunca tinha visto isso por esse lado, mas agora acho que é uma boa maneira de defini-la. De forma intuitiva não é fácil manter as pessoas focadas na música sem que elas se distraiam com o cotidiano. Essa é uma das nossas ambições desde 1998 até hoje. Podemos dizer então que ‘What's Next’ é como gengibre — que limpa o paladar. É um pequeno aquecimento.”


“Spiders”
“‘Spiders’ é uma anomalia — uma música que todo mundo tem uma opinião a respeito.
Nós gostamos desta frase que se escuta por aí: ‘É fácil fazer algo simples parecer louco, mas é quase impossível fazer algo louco parecer simples’. Ouvindo ‘Spiders’, ela parece simples, mas ela explora lugares estranhos. É uma parte essencial da nossa carreira, pois estamos sempre nos analisando. Estamos sempre buscando melhorar como artistas, porque a música é o meu Deus. Então, eu não me envergonho de nada do que fazemos. No final, é preciso que ela englobe todos nós e ela seja Slipknot. E ‘Spiders’ é a cara do Slipknot. ‘Spiders’ vai pegar você.”


“Orphan”
“Uma música muito, muito pesada. ‘Orphan’ foi a primeira música que concluímos. E depois a deixamos de lado, pois passamos a investir nas outras. Corey chegou cerca de um ano e meio depois que algumas músicas já tinham sido compostas, e ‘Orphan’ foi uma das faixas que ele ficou encarregado de escrever a letra. Não me lembro como ela se chamava no começo. Ele me mandou uma mensagem e disse que estava colocando o título de ‘Orphan’ — e em seguida eu me liguei ela seria pesada e pessoal. A palavra, órfão, já me traz uma imagem muito cinza, entorpecida, monótona e incapaz de se mover. Eu lembro de ficar olhando fixo para a mensagem. E quando Greg Fidelman, o produtor, olhou para mim, eu anunciei ‘Essa música vai se chamar ‘Orphan’’. E todos ficaram impressionados. É uma música muito profunda que evoca um sentimento de tradição para nós.”


“My Pain”
“‘My Pain’ é bem recente. E, mais uma vez, trata-se de comunicação. É uma música muito importante para o mundo e os indivíduos. Temos faixas como: ‘Til We Die’, ‘Heartache and a Pair of Scissors’, ‘Skin Ticket’, ‘Prosthetics’, ‘Danger - Keep Away’. Que são inspiradas no universo sobrenatural. E eu acho que ela é uma dessas músicas, mas é um pouco mais focada em sua própria realidade.”


“Not Long for This World”
“Esta faixa me desperta a imaginação. Me traz várias imagens à cabeça. É como se estivéssemos levando você para dentro de Fantasia, o filme da Walt Disney. Mickey começa a brincar com a varinha mágica, monta numa vassoura e sai a procura d’água.
Tenho 49 anos, mas quando eu era criança, isso era assustador. Esta música ilustra o fim do mundo, sem floreios. É uma etapa crucial do álbum. Engata a primeira marcha e segue em frente até chegar no topo. Em seguida, ou você pula ou volta para baixo. Também poderíamos dizer que ela introduz ‘Solway Firth’. Não sei se é um conceito, porque tudo o que fazemos é um conceito. Eu poderia citar que tudo, de 98 até agora, tem sido um conceito, pois a arte é fundamental para nós — na música, e em tudo.”


“Solway Firth”
“Quando ouvi Corey dizer no final: ‘Você quer um sorriso verdadeiro? Eu não consigo sorrir há anos’, eu chorei. Eu sofri. Eu sofri por mim. Eu sofri pela minha família. Eu sofri pelas pessoas ao meu redor. Eu sofri 190% por ele. Eu sofri pela pessoa a quem ele estava se referindo. Eu sofri por todo mundo. E então se tornou evidente: esta seria a última música do álbum. Nada mais a declarar depois disso. Para qualquer um neste planeta que esteja passando por algum momento difícil, é uma maneira de se expressar, de acabar com isso, de dar a volta por cima e mudar de rumo. E um pouco antes, há aquele final falso e então, bam! Você leva um tapa na cara, e cabe a cada um de nós se levantar e acreditar que é capaz de mudar o seu próprio destino.”

NOTAS DOS EDITORES

Clown: “Nós tivemos um tempo para a música e para nós mesmos”.


Mesmo que Slipknot apresente aparência e sonoridade agressivas, sua abordagem criativa é tão carinhosa e estimulante quanto o amor de uma mãe pelo seu filho. O sexto álbum de estúdio dos músicos de Iowa, We Are Not Your Kind, nasceu de um longo processo de quatro anos, durante o qual os integrantes puderam aprofundar sua comunicação e amizade. Acima de tudo, eles responderam com perseverança a um mundo em crise. Clown, o percussionista (também conhecido como número 6, cujo nome de batismo é Shawn Crahan), notou que os fãs (carinhosamente chamados de Maggots, “larvas”) elogiam constantemente Iowa, álbum de 2001, porém ele os encoraja a contextualiza-lo, “Eu sempre preciso lembrá-los da temperatura do mundo na época em que o álbum foi criado”, disse ele ao Apple Music. “E então eles param um pouco e percebem que o mundo estava de cabeça para baixo e que precisávamos da música para enfrentar aquilo. Nós sentimos que o mundo está assim de novo.” Neste álbum, hinos anti-autoritários (“Birth of the Cruel”, “A Liar's Funeral”), martírio (“Unsainted”) e meditações inebriantes (“Insert Coin”, “What's Next”) são acompanhados pelo thrash metal com toques eletrônicos. Clown conduziu o Apple Music por We Are Not Your Kind, faixa a faixa. “Nós respiramos fundo”, explicou ele. “E nos colocamos na música por inteiro.”


“Insert Coin”
“É a nossa maneira de dizer: ‘Estou aqui esperando pelos outros. E lá vêm eles.’ É como se estivesse no alto de uma montanha com vista para o oceano, e pudesse ver os outros nadando pelas águas agitadas. É um alinhamento. Insira a moeda. Vamos embora.”


“Unsainted”
“O álbum inteiro tem essa temática, em que se olha cada música, cadência por cadência, batida por batida. E você se pergunta quanta cor, temperatura e amor você tem para oferecer. Foi uma experiência incrível que se encaixou perfeitamente. Se tornou a mentalidade do álbum. Quando esta música nasceu anos atrás, e eu ouvi o riff da guitarra, o refrão e pensei imediatamente: ‘Esta será a primeira música do álbum.’ Foi mágico. É algo novo, que representa a gente, é neste lugar que estamos.”


“Birth of the Cruel”
“Esta é uma das minhas favoritas. Ela evolui, ela é intensa, tem pegada. Nós desencanamos dela por um bom tempo. Corey Taylor diz ‘I'm overthrown/I'm over your throne’ (Eu sou derrotado/ eu estou sobre o seu trono). Eu adoro esses jogos de palavras.”


“Death Because of Death”
“Esta música é outro exemplo do que é a vida. É muito climática, faz você questionar as coisas. É outra pequena peça do quebra-cabeça. É como uma cobra que se arrasta em você e que vai embora antes que você se dê conta. Ela pode ser pequena, mas mesmo assim, pode ser muito venenosa. E se você se deixar levar, ela pode afetá-lo de uma maneira inimaginável.”


“Nero Forte”
“Eu gosto de me desafiar. Eu aprendi muito com as pessoas que fizeram parte da banda. Dividimos muitas coisas juntos e o respeito que tenho por eles é realmente algo muito lindo. Gostaria de juntar tudo isso que eu aprendi e criar uma pequena cadência — a parte que vem antes da pausa é muito importante para mim. E o refrão é impressionante. Corey Taylor ainda consegue cantar em falsete, mesmo depois de 20 anos de carreira. O que pode ser melhor do que isso? Isso é evolução, coragem de se arriscar e se entregar para a música. É agarrar a vida com toda força na tentativa de se salvar.”


“Critical Darling”
“Esta música provoca todo tipo de reação. A melodia vocal é a minha favorita. Eu amo o espaço mental que ela ocupa. Corey é meu cantor preferido de todos os tempos porque ele é capaz de mergulhar tão profundamente em si mesmo e trazer coisas pessoais que a maioria das pessoas não seriam capazes de fazer. Mas ele tem força para fazer isso por si e por todos nós. É muito diferente do estilo Slipknot, mas, ao mesmo tempo, nos representa lindamente. Eu acho que ela entra em contraste com as outras cores do álbum e enriquece o todo.”


“A Liar’s Funeral”
“Esta faixa pode ser complexa por uma série de motivos. Ela começa de um jeito que soa familiar, quase previsível, até se dar conta que Corey jamais havia cantado de uma forma tão brutal até então. É tão chocante, que você se sente incapaz de sair do lugar. E esta é uma das músicas que eu lutei para que ela entrasse no álbum. Tudo ficou perfeito, e aqui está: ‘Burn, burn, burn, liar!’ (Queime, queime, queime, mentiroso!).”


“Red Flag”
“Aqui temos o Slipknot tradicional. Tem uma sensação super thrash. É divertida, agitada mas de um jeito diferente de ‘Get This (Or Die)’ ou ‘Eeyore’. Eu acho que ela é um elemento necessário na composição do álbum.”


“What’s Next”
“Podemos dizer que ela é um interlúdio. Na verdade, eu nunca tinha visto isso por esse lado, mas agora acho que é uma boa maneira de defini-la. De forma intuitiva não é fácil manter as pessoas focadas na música sem que elas se distraiam com o cotidiano. Essa é uma das nossas ambições desde 1998 até hoje. Podemos dizer então que ‘What's Next’ é como gengibre — que limpa o paladar. É um pequeno aquecimento.”


“Spiders”
“‘Spiders’ é uma anomalia — uma música que todo mundo tem uma opinião a respeito.
Nós gostamos desta frase que se escuta por aí: ‘É fácil fazer algo simples parecer louco, mas é quase impossível fazer algo louco parecer simples’. Ouvindo ‘Spiders’, ela parece simples, mas ela explora lugares estranhos. É uma parte essencial da nossa carreira, pois estamos sempre nos analisando. Estamos sempre buscando melhorar como artistas, porque a música é o meu Deus. Então, eu não me envergonho de nada do que fazemos. No final, é preciso que ela englobe todos nós e ela seja Slipknot. E ‘Spiders’ é a cara do Slipknot. ‘Spiders’ vai pegar você.”


“Orphan”
“Uma música muito, muito pesada. ‘Orphan’ foi a primeira música que concluímos. E depois a deixamos de lado, pois passamos a investir nas outras. Corey chegou cerca de um ano e meio depois que algumas músicas já tinham sido compostas, e ‘Orphan’ foi uma das faixas que ele ficou encarregado de escrever a letra. Não me lembro como ela se chamava no começo. Ele me mandou uma mensagem e disse que estava colocando o título de ‘Orphan’ — e em seguida eu me liguei ela seria pesada e pessoal. A palavra, órfão, já me traz uma imagem muito cinza, entorpecida, monótona e incapaz de se mover. Eu lembro de ficar olhando fixo para a mensagem. E quando Greg Fidelman, o produtor, olhou para mim, eu anunciei ‘Essa música vai se chamar ‘Orphan’’. E todos ficaram impressionados. É uma música muito profunda que evoca um sentimento de tradição para nós.”


“My Pain”
“‘My Pain’ é bem recente. E, mais uma vez, trata-se de comunicação. É uma música muito importante para o mundo e os indivíduos. Temos faixas como: ‘Til We Die’, ‘Heartache and a Pair of Scissors’, ‘Skin Ticket’, ‘Prosthetics’, ‘Danger - Keep Away’. Que são inspiradas no universo sobrenatural. E eu acho que ela é uma dessas músicas, mas é um pouco mais focada em sua própria realidade.”


“Not Long for This World”
“Esta faixa me desperta a imaginação. Me traz várias imagens à cabeça. É como se estivéssemos levando você para dentro de Fantasia, o filme da Walt Disney. Mickey começa a brincar com a varinha mágica, monta numa vassoura e sai a procura d’água.
Tenho 49 anos, mas quando eu era criança, isso era assustador. Esta música ilustra o fim do mundo, sem floreios. É uma etapa crucial do álbum. Engata a primeira marcha e segue em frente até chegar no topo. Em seguida, ou você pula ou volta para baixo. Também poderíamos dizer que ela introduz ‘Solway Firth’. Não sei se é um conceito, porque tudo o que fazemos é um conceito. Eu poderia citar que tudo, de 98 até agora, tem sido um conceito, pois a arte é fundamental para nós — na música, e em tudo.”


“Solway Firth”
“Quando ouvi Corey dizer no final: ‘Você quer um sorriso verdadeiro? Eu não consigo sorrir há anos’, eu chorei. Eu sofri. Eu sofri por mim. Eu sofri pela minha família. Eu sofri pelas pessoas ao meu redor. Eu sofri 190% por ele. Eu sofri pela pessoa a quem ele estava se referindo. Eu sofri por todo mundo. E então se tornou evidente: esta seria a última música do álbum. Nada mais a declarar depois disso. Para qualquer um neste planeta que esteja passando por algum momento difícil, é uma maneira de se expressar, de acabar com isso, de dar a volta por cima e mudar de rumo. E um pouco antes, há aquele final falso e então, bam! Você leva um tapa na cara, e cabe a cada um de nós se levantar e acreditar que é capaz de mudar o seu próprio destino.”

TÍTULO DURAÇÃO

Mais de Slipknot