Batidão Tropical

Batidão Tropical

Batidão Tropical, o quarto álbum de Pabllo Vittar, traz uma característica bastante interessante: diferente do que se espera de uma artista em ascensão, ela se volta para o Brasil e mergulha em suas próprias referências, em vez de tentar alcançar o mercado internacional. Mas, também divergindo do senso comum, não é a MPB ou a bossa nova que está sendo exaltada no álbum, mas sim o forró e até gêneros mais de nicho, como o tecnobrega. Nascida em 1993, em São Luís, Maranhão, Vittar cresceu escutando bandas como Companhia do Calypso, Kassikó e Batidão, entre outras que a influenciaram nesse projeto. “Ouvi muito forró, bachata e swingueira também para criar esse álbum e juntei com muita coisa de quando eu morava no Maranhão”, conta a artista em conversa com o Apple Music. “Estou fazendo o que eu mais sei e o que eu sei fazer de melhor. E foi muito louco poder cantar as músicas que eu ouvia quando era criança nas vozes de bandas de que eu tanto gosto até hoje e poder regravá-las: foi bem louco e emocionante.” O álbum conta com apenas três músicas inéditas: “Triste Com T”, “A Lua” e “Ama Sofre Chora”, sendo esta a primeira música de trabalho de Batidão Tropical, que contou até mesmo com anúncio de casamento falso para a campanha de marketing. “Os boys que eu pegava ficaram magoadíssimos. Eu falei: ‘Ai, amore, desculpa! Era só um clipe!’.” A junção das novas faixas com as regravações parece ter sido a mistura perfeita para entregar ao público ainda mais da personalidade da cantora. “Por causa dos covers, parece que estou mostrando para os meus fãs quem foi a Pabllo na infância, na adolescência. E estou trazendo isso para crianças e jovens que podem nunca ter ouvido falar dessas bandas e dessas músicas, então é meu papel apresentar esse pedaço da minha vida para que os meus fãs me conheçam mais”. Para a artista, foi uma volta ao passado e também “uma terapia mesmo, bem gostoso”. A ideia do álbum já era conversada há um tempo e, com a produção de Rodrigo Gorky e da Brabo Music, tomou a forma de que Vittar gostaria. “Foi muito louco porque é um projeto que já estávamos desenhando e foi muito gostoso de fazer, porque, tirando as inéditas, o álbum tem uma parte em que eu faço cover de algumas músicas com uma roupagem mais a minha cara, mais pop, mais mostrando as minhas essências.” Muito bem-humorada e cheia de tarefas a serem cumpridas, Vittar dá entrevista enquanto discute sobre a temperatura do ar-condicionado: “Não consigo me decidir se está frio ou não!”, brinca. O equilíbrio entre a descontração e o trabalho parece ser algo bastante presente na carreira da cantora, pois ela entende que, mesmo em um momento tão difícil como a pandemia do coronavírus, há a necessidade de continuar fazendo música e levando alegria ao seu público. “O negócio é não deixar a peteca cair. A minha música funciona como um agente de transformação, então não posso deixar as pessoas sem diversão, elas precisam de um escape, e o meu trabalho é como se fosse uma válvula mesmo”, explica. “E isso é válido para mim também, não apenas os meus fãs.” O período de isolamento social fez com que Vittar tivesse que reinventar o contato com o seu público, algo sempre tão importante para a sua carreira. Para ela, a falta de shows e do contato com os fãs é um dos pontos mais difíceis. “Poxa, isso mexe muito comigo, é do que eu mais sinto falta”, conta. “Lançar trabalhos novos, passar por toda uma preparação e não poder apresentar é muito ruim, muito triste. Mas espero que eles consumam o álbum e se divirtam em casa. Em 2022, quando a gente voltar para os shows, a gente gasta essa energia toda, vai ser total”, diz a cantora, que deixa claro o sentimento de devoção pelos seus seguidores. “Eu amo muitos os meus fãs, muito mesmo. Meu Deus, eu não sei o que eu seria [sem eles].” Assim, com alto astral e bom humor, Pabllo Vittar conta a seguir detalhes de cada uma das faixas de Batidão Tropical. Ama Sofre Chora “A música que abriu os trabalhos de Batidão Tropical é uma composição dos meninos do Brabo Music. Quando eu vi a música pela primeira vez, eu fiquei muito apaixonada porque é muito eu: eu sou piranha e massa ao mesmo tempo, eu amo, choro, sofro... Eu tenho os meus momentos. Quando eu ouvi, pensei: ‘sou eu!’. E a gente escolheu essa faixa para abrir os trabalhos justamente por ser isto, tão eu.” Triste Com T “Vamos falar a verdade: triste com tesão. Ela é tudo! É o segundo single do álbum e é uma espécie de continuação de ‘Ama Sofre Chora’, até os clipes são interligados. E essa música fala de uma pessoa que está triste, mas ainda está com tesão. A letra é minha com o pessoal do Brabo Music, escrevemos juntos.” A Lua “Eu tenho muito carinho por essa faixa porque escrevi com a Alice Caymmi. A gente já tinha trabalhado junto e, toda vez em que nos juntamos, sai uma letra muito eu, muito ela. Amo muito porque é um forrozão do Maranhão, bem nos moldes de quando eu era criança, com Aviões do Forró. Bem essas letras Limão Com Mel, das quais a gente quis trazer essa parte mais autoral.” Ânsia “É um cover de uma música que já foi regravada por várias bandas – nossa, eu amo muito essa música. Eu a conheci na voz da Mylla Karvalho, que era vocalista da Companhia do Calypso na época, e eu sempre fui apaixonada por ela, pela Companhia e pela interpretação da Mylla. Eu nunca poderia imaginar, na minha vida, que iria regravá-la. Ela fez parte da minha infância, lembro de cantar apaixonada – por quem? Por ninguém. Foi um prazer fazer esse cover. Espero que a Mylla sinta orgulho de mim quando ouvir.” Apaixonada “Eu amo muito essa música, acho que é a faixa que eu mais amei regravar para esse álbum, porque eu sempre escutei a versão da banda Batidão, mas várias outras também regravaram essa música. Quando estávamos anotando os nomes das faixas para saber quais iríamos colocar, eu falei dessa e disse que não poderia faltar. Ela tem um som bem agudo, que desde criança eu imitava e consigo fazer até hoje. E tinha que estar no álbum.” Ultrasom “É uma cover da banda Ravelly, lá da minha cidade, Santa Isabel do Pará, onde eu morei quando era criança. Jamais imaginei que um dia iria regravar uma música da banda Ravelly. Eu amo muito esse álbum, e tinha que colocar uma música que eu ouço desde sempre, desde que eu brincava com os meus amigos – depois voltei para o Maranhão e continuei ouvindo. Escuto até hoje, quando estou me maquiando, fazendo as minhas coisas... E eu gosto muito, me lembra muito essa época da minha vida.” Zap Zum “Também é da Companhia do Calypso, e eu amo muito por conta da coreografia, que tem muito cabelão, bem típico da Companhia. E adoro a letra, que diz que ela quer ir para o planeta onde o boy dela está, para poder se entregar. Foi muito massa poder ter essa música, e fiquei muito feliz que eles autorizaram.” Não é Papel de Homem “Essa música já ganhou regravação de banda de forró e de vários outros gêneros, mas eu a conheci na voz da banda Kassikó, que marcou a minha infância e adolescência. É uma banda que tem o gênero meio tecnobrega. Essa música era uma das que eu mais cantava no colégio, e gritava no refrão. Eu morei muito tempo no Pará e era apaixonada por essas bandas regionais de lá.” Bang Bang “Também é uma música que era da Companhia da Calypso, que conheci na voz da Mylla. E alguns dos meus fãs já conhecem essa, então estou bem ansiosa para ver a reação deles quando souberem que eu regravei. E ‘Bang Bang’ é uma faixa bastante divertida, que fala de quem eu sou e fez parte da minha adolescência. Eu a conheci por causa do DVD Ao Vivo em Goiânia, que completou 17 anos esses dias, o que me deixou em pânico – e tudo bem, porque música não envelhece. Foi um grande prazer.”

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